Panamá deve estudar um caminho por Darién que permita a globalização, dizem os especialistas

julio 29, 2015 1:48 pm Publicado por 1.151 Comentarios

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A possibilidade de uma rodovia pela intrincada zona de florestas de Darién, por onde se interrompe a comunicação entre a América do Norte e a América do Sul, é uma das pressões da economia global sobre o Panamá que o país deve analisar profundamente, disseram os especialistas em um fórum sobre a matéria.

O assunto foi tratado no fórum “Darién: Fronteiras e futuros” promovido pela Fundação Cidade do Saber (FCDS), um marco nas opções de futuro da província panamenha de Darién sob a luz dos processos de integração em curso no continente, de acordo com o que foi destacado pelos organizadores.

O diretor da FCDS, Jorge Arosemena, disse que é muito importante abrir um debate sobre esta questão de abrir ou não essa área de selva, conhecida como “Tampão de Darién”, para a união da rodovia Pan-Americana, que vai do Alaska ao Panamá e de Urubá (Colômbia) à Patagônia (Argentina) e que até agora, afirmou, tem sido em parte ‘um tabu”.

A geógrafa panamenha Diana Laguna, participante do Fórum, disse que a globalização e a economia mundial têm exercido e exercem “pressão” para a interconexão da região através de Darién.

Laguna frisou que “há muitas pressões para que se faça essa conexão”, mas antes há que se discutir e analisar “se é positivo ou não para o país, o que envolve essa interconexão, ou se definitivamente seguimos com o Tampão de Darién como um ativo de proteção ambiental e social”.

De acordo com cálculos feitos na Colômbia e publicados na imprensa local, o custo para completar o trecho de 109 quilômetros que falta (59 km no lado colombiano e 50 km no panamenho) superaria 200 milhões de dólares.

O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, expressou seu interesse pela interconexão por terra dos dois países abrindo uma rodovia pela selva darienita, ainda que vários setores do Panamá se oponham a esta interconexão pelo seu possível impacto ambiental sobre o Parque Nacional de Darién.

Darién, Parque Nacional desde 1980, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em 1981.

Juan Moreno, economista da FCDS, reconheceu que “não é um assunto fácil” dizer se as opções de futuro para Darién passam pela abertura do seu “tampão de selva, mas que sim se deve ter em mente o contexto em que se estão movendo os grandes interesses e a nova geografia da economia mundial”.

Moreno acrescentou que existem muitas pressões sobre estas zonas e outros ecossistemas que foram preservados por muito tempo, mas que “o ideal seria conservar esses espaços com políticas de eficiência ambiental dirigidas fundamentalmente pelo Estado panamenho e pelos nativos que têm habitado essas bacias hidrográficas”.

Por seu turno, o vice-presidente de Investigação e Formação da FCDS, Guilherme Castro, indicou que não é tanto um problema de haver ou não uma rodovia até a Colômbia, mas sim uma situação da população de Darién, inclusive de “atraso, exclusão e abandono”.

Ainda assim, Castro reconheceu que terá que tomar uma decisão sobre a possibilidade desta interconexão rodoviária, mas ressaltou que “devem haver o maior volume de informação possível para que se atinja uma decisão através de um debate público dos mais participativos que se possa obter”.

Castro foi além e destacou que sem essa interconexão “de fato já há uma conexão terrestre constante em Darién que escapa ao controle do Estado” com a passagem de imigrantes ilegais provenientes da América do Sul e de origem extra-continental.

Fonte: http://www.telemetro.com/

Ernesto Chong de León, Ernesto Emilio Chong Coronado

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