Economia da América Latina crescerá 0,4% e ficará à beira de uma recessão

junio 17, 2015 2:54 pm Publicado por 253 Comentarios

presidente banco mundial

O Banco Mundial imagina um ano de atraso na região em razão dessa projeção de 0,4% de crescimento em 2015. Trata-se de forte recuo diante da expansão global de 2,8% e diante dos 4,4% dos países em desenvolvimento.

O FMI pede que a América Latina seja mais produtiva para poder crescer.

A projeção que o Banco Mundial faz para as economias da América Latina é preocupante. Agora rebaixa de forma drástica as previsões de crescimento a ponto de coloca-la a apenas quatro décimos da linha vermelha o ano de 2015, o que significa que a atividade ficará praticamente estagnada até se reposicionar em 2% em 2016 e 2,7% em 2017. Além disso, é um ritmo de crescimento quatro pontos menor do que aquele projetado para os países em desenvolvimento.

O pessimismo domina. Há apenas seis meses a organização que apóia os países mais atrasados projetava um crescimento de 1,7% para a América Latina neste ano. Agora diz que cairá para a metade do caminho em relação ao 0,9% de 2014, o que significa que a reação arrefece e será ainda mais lenta. A previsão dada em janeiro para o ano de 2016 era de 2,9% e passava a 2,8% para o exercício seguinte.

A situação da América Latina irá acelerar com a atual alta de juros dos EEUU, de acordo com a OCDE. O FMI tenta acalmar essa tendência dos EEUU até que se alcance 2016 para que a América Latina possa sair dessa grande desaceleração nas exportações causada pelo estancamento das matérias primas.

O problema se resume no Banco Mundial da seguinte maneira: os países da América do Sul têm dificuldades pelo lado da demanda interna por conta da desconfiança dos investidores, das secas generalizadas e do barateamento das matérias primas. No caso do Brasil se tem como agravante o escândalo da Petrobrás, explicou Kaushik Basu, seu economista chefe.

A maior economia da região vai se contrair 1,3% este ano, após prever crescer 1% e isto arrasta o resto da região. A moderação no crescimento da China também explica esse forte retrocesso. A contração será mais profunda na Venezuela, 5,1% neste ano, depois de 4% em 2014 e dos 2% imaginados em janeiro. Há previsão de que isso se modere para 1% em 2016.

As projeções para a Argentina, feitas pelos técnicos da organização, apontam para um crescimento de 1,1% no atual exercício, o dobro do ano passado. A previsão feita há seis meses foi de retração de 0,3%, assim que neste caso houve melhora. Os relatores explicam que o cálculo de agora é mais completo por contar com dados que não estavam disponíveis anteriormente.

A situação do México é qualificada como “frágil” quando se aborda o clima de negócios. Com os EEUU como base de sua sustentação, será possível crescer 2,6% este ano, uma previsão que se alinha com os números imaginados em janeiro. A esperança é que a contração da economia norte-americana vivida no começo do ano seja transitória e isso permita ao vizinho do sul crescer até 3,3% em 2016.

A economia mexicana é um dos motores da região, inclusive por ser uma das três maiores. Em termos relativos, os países de maior crescimento são o Panamá, de quem se espera a manutenção de um crescimento de 6,2% em 2015 e o Peru com 3,9% até retomar 5% em 2016. No grupo das economias que mais rendem estão ainda a Bolívia com 4,8% e a Guatemala com 4%.

Colômbia crescerá 3,5% este ano, segundo as novas estimativas do Banco Mundial, ainda que nesse caso seja quase um ponto menor que o antecipado em janeiro e isso explica também que, junto com o Brasil, tenha sido rebaixado o conjunto de projeções da região. O Brasil é de fato o que se põe como exemplo que reflete a “complexa transição” que aflige todo o continente.

Expansão decepcionante

O Banco Mundial assinala que esta adaptação à nova era de baixos preços do petróleo e das matérias primas acaba por traçar a planta da dificuldade para esse conjunto de economias em desenvolvimento e que se combina com uma alta dos custos de financiamento. “Este 2015 será o quarto ano consecutivo de crescimento decepcionante”, afirmam os relatores da organização que projetam uma expansãoo de 4,4%.

“Apertem os cintos porque haverá trancos adiante”, adverte o economista chefe, ainda que se veja uma melhora gradual no horizonte. Para o próximo ano, a atividade econômica dos emergentes irá a 5,2%. Daí poderá subir alguns décimos para 2017. O temor da organização é que a alta de juros dos EEUU prejudique aqueles paíse que se mostram mais vulneráveis.

Para o conjunto da economia global, a projeção se rebaixa até 2,8%, dois décimos a menos que o antecipado em janeiro. Daí viria a reação de meio ponto em 2016 graças ao impulso do baixo custo da energia. Isto se explica ainda com uma análise mais otimista da Europa, graças aos estímulos e à expansão de 2,4% dos EEUU. As economias avançadas crescerão 2% este ano e 2,4% em 2016.

O Banco Mundial adverte que uma “valorização excessiva” do dólar em razão de uma “alta prematura” dos juros dos EEUU poderia transformar essas projeções se acabar por afetar a recuperação da maior economia do mundo. “Os efeitos serão adversos para seus parceiros comerciais” , antecipa o Banco. Esse é um dos argumentos do FMI para pedir que se acalmem essa alta de juros.

Conforme disse na semana passada Christine Lagarde no FMI, o economista Kaushik Basu aconselha o Federal Reserve que é melhor aguardar o começo de 2016 para marcar o início do processo de normalização da política monetária nos EEUU. “Os sinais que chegam da economia estão confusos”, disse. Ainda assim admite que o FED continuará a elevar os preços do dinheiro este ano.

As duas instituições coincidem ao insistir, por tudo isto, que o crescimento das economias em desenvolvimento no pode depender exclusivamente dos EEUU como seu motor e nem tampouco podem ser tão vulneráveis diante deste. A recuperação na zona do euro ainda é insuficiente. A projeção que o Banco Mundial faz é de 1,5%, mais otimista que os 1,1% antecipados em janeiro. Daí se projeta algo como 1,8% em 2016.

Fonte: economia.elpais.com

Ernesto Chong de León, Ernesto Emilio Chong Coronado

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